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DANÇA DA MORTE / DANÇA DE LA MUERTE

co-produção com a Companhia espanhola Nao d’amores, espectáculo bilingue, dirigido por Ana Zamora, com participação de elementos de ambas as companhias. Nao d’amores é uma estrutura profissional independente, criada em 2001 e dirigida por Ana Zamora, que tem vindo a apresentar espectáculos que pretendem ser a reinvenção de um teatro primitivo com uma qualidade lírica muito particular, a partir de textos e música antiga peninsulares, e recuperando várias formas de expressão artísticas de influência tradicional popular como danças, marionetas, música ao vivo com réplicas de instrumentos antigos, e elementos vários inspirados no folclore tradicional. Este espectáculo parte do texto Castelhano do século XV Dança General de la Muerte e integra também textos vários de Gil Vicente. Trata-se de uma nova abordagem do tema das Danças Macabras tão tratado por toda a Europa no fim da Idade Média. “Dança da Morte / Dança de la Muerte” é uma fantasia da imaginação popular, uma viagem no tempo para reviver os mitos que ajudaram a mitigar o absurdo da morte, nascida no actual contexto cultural, em que se tende a negá-la e a afastar a sua lembrança, substituindo o ancestral anseio de imortalidade por uma imatura ficção de “a-mortalidade”. Ana Zamora
De 6 a 13 de Julho 2010 - 2ª a Sábado às 21.30h e Domingo às 17.00h no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa (integrado no Festival de Teatro de Almada) 16 de Julho 2010 - às 20.30h e 23.00h no Centro de Artes Escénicas San Pedro, em Olmedo (integrado no Olmedo Clásic, V Festival de Teatro Clásico) 22 de Julho 2010 - às 20.30h no Teatro Jovellanos, em Gijón (integrado no Festival de Musica Antigua de Gijón) 23 e 24 de Julho 2010 - às 22.45h no Patio de Fúcares, em Almagro (integrado no Almagro, Festival Internacional de Teatro Clásico)
De 30 de Setembro a 17 de Outubro 2010 - 3ª a Sábado às 21.30h e Domingos às 17.00h no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa 22 e 23 de Outubro 2010 - espaço por definir, em Segóvia DANÇA DA MORTE / DANÇA DE LA MUERTE As Danças da Morte são um tema de enorme extensão, e que atravessa vários territórios literários, participando em inúmeras manifestações artísticas que integram o teatro, a música, a dança, o folclore e outros fenómenos artísticos e sociais. Apesar de ainda hoje haver poucas certezas quanto à sua origem e desenvolvimento, pode dizer-se que chegou a invadir todo o fim da Idade Média na Europa, e foi um exemplo de transmissão cultural sem precedentes, saltando de país em país, estabelecendo relações e influências entre artistas, poetas e criadores. À imagem deste modo antigo de intercâmbio intercultural, a Companhia Nao D’Amores (Espanha) e o Teatro da Cornucópia (Portugal) abordam com este espectáculo uma produção conjunta, a partir de textos espanhóis e portugueses dos séculos XV e XVI que giram em torno da Dança Macabra. Trata-se de uma montagem que integra as duas línguas, o trabalho de actor, o teatro de marionetas e a interpretação musical ao vivo com réplicas de instrumentos da época, para recriar um género dramático que foi motivo favorito de uma sociedade que chegava ao fim da sua existência e que nele plasmou a sua mensagem de sátira e de esperança. Dança da Morte / Dança de la Muerte é uma fantasia da imaginação popular, uma viagem no tempo para reviver os mitos que ajudaram a mitigar o absurdo da morte, nascida no actual contexto cultural, em que se tende a negá-la e a afastar a sua lembrança, substituindo o ancestral anseio de imortalidade por uma imatura ficção de “a-mortalidade”. Ana Zamora A DANÇA: O ESCONJURO DA MORTE (Referências históricas) A Dança da Morte, é uma sequência de texto e imagens presidida pela Morte como personagem central - geralmente representada por um esqueleto, um cadáver ou um corpo vivo em decomposição – e que, numa atitude de dança, dialoga e arrasta um a um uma série de personagens que representam habitualmente as diferentes classes sociais. O tema da morte, inevitável, que a todos atinge, independentemente da sua condição social, poder, força, conhecimento, sexo, idade ou méritos, é uma ideia amplamente expressa a partir do século XII. No entanto, a Dança Macabra como género literário, coreográfico e dramático, nasce provavelmente em resposta à epidemia que assolou a Europa desde 1347: a peste pneumónica ou bubónica que todos levava, fosse qual fosse o seu estatuto, condição ou idade. Estende-se por toda a Europa, principalmente nas terras com porto, sendo os mares e os rios a via de contágio, morrendo em dois anos um terço da população. Neste contexto de psicose colectiva, num clímax chocante em que a vida está constantemente ameaçada, o tema da Dança Macabra destaca-se. O facto é que a partir de 1380 a iconografia macabra atinge uma dimensão até então nunca alcançada e a arte da morte se transforma profundamente: aparecem a desolação, os vermes, a nudez do cadáver, o aspecto torturado, o apodrecimento da carne, numa complacência mórbida desconhecida à tradição cristã. Durante toda a Idade Média a luta da Igreja contra a superstição é constante, sendo o culto em torno dos mortos um dos mais enraizados. Ganha renovada intensidade perante a avalanche de mortandade influenciando a Dança Macabra, que parece ser uma concessão da Igreja à avassaladora necessidade de esconjurar a morte. Ao longo do século XV e parte do século seguinte, as composições macabras foram eco de uma sensibilidade sem preconceitos, franca e autêntica, que seria enterrada pela Contra-Reforma com o desaparecimento e a transformação desta modalidade plástico-coreografica. Volta-se as costa à grande experiência espiritual que havia dado origem à Dança Macabra e às suas diversas incarnações iconográficas e formas modernas de piedade e devoção; embora fortemente ancoradas no sentido da morte, desterraram a ironia e humor macabro e tiveram de submeter-se à interpretação ditada pelo clero. Assim, fora do âmbito popular, a produção de danças macabras praticamente acabou.
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