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Teatro da Cornucópia - 40 anos

No dia 13 de Outubro faz exactamente 40 anos que, no Teatro Laura Alves, alugado ao empresário Vasco Morgado, na Rua da Palma em Lisboa, hoje transformado em sapataria, o Teatro da Cornucópia, se apresentou pela primeira vez ao público com a estreia de O Misantropo de Molière. No elenco estavam os dois fundadores: Jorge Silva Melo e Luis Miguel Cintra, e Glicínia Quartin, Dalila Rocha, Raquel Maria, Filipe La Féria, Orlando Costa, Luís Lima Barreto e Carlos Fernando. Com eles mais 3 pessoas: Helena Domingos, Paulo Cintra e Pedro D’Orey. 40 anos depois, depois de tanta água que passou debaixo das pontes, a Companhia continua a trabalhar. E há quem nos acompanhe desde então: a então bilheteira do Teatro Laura Alves, por exemplo, que foi quem há 40 anos nos ensinou aquela burocracia mínima que então era precisa para vir a público, ganhou amizade por nós, e ainda hoje vem ver os nossos espectáculos. Um pequeno apoio da Fundação Gulbenkian garantiu os primeiros pagamentos.

 

Depois de um curto pré-25 de Abril sem casa, e de um arranque em que em pouco tempo tanta coisa aconteceu (passagem pelo Terraço do Capitólio, saídas por opções pessoais e políticas de vários elementos, campanhas do MFA, entrada no edifício actual como sede permanente, entrada da Cristina Reis como cenógrafa, saída de Jorge Silva Melo, passagem de Cristina a co-directora), a companhia conheceu muitos elencos, tocou em todas as épocas da história da literatura dramática, passou por muitas fases, muita gente diferente nela trabalhou e com ela colaborou. Mas, 40 anos depois e ao fim de 120 criações e cerca de 5 100 representações, a companhia não conseguiu as condições de trabalho com que sonhara para poder existir de forma estável e com a implantação pública que no princípio projectámos. Mudou muito o país em 40 anos, e a sobrevivência de um projecto artístico que permanece fiel ao que se propunha no início convive mal com a transformação política, apesar de ter ganho o respeito e a amizade de já várias gerações. É numa situação de sobrevivência difícil que festeja os seus 40 anos.

 

Mas para muita gente a memória do que em 40 anos fizemos, representa uma muito grande parte da sua vida. É sobretudo isso que no dia 13 de Outubro, um Domingo, festejaremos ao longo do dia, dando a palavra a quem quiser falar, desafiando quem quiser (espectadores, colaboradores, colegas de profissão, etc.) a fazer uma intervenção sobre ou a propósito da Companhia. E depois de uma pausa para beber um copo, conversar e consolar o estômago com o que for trazido para ajudar à festa, acabaremos o dia com a participação dos músicos que por esta casa passaram e que quiserem aparecer.

 

Também é no mesmo sentido que nos é grato abrir as comemorações já no fim de Setembro com uma prenda oferecida por uma companhia espanhola amiga: Nao d’amores que aqui criou e apresentou um espectáculo em co-produção connosco: Dança da Morte/Dança de la Muerte. Apresentará no nosso teatro nos dias 27 e 28 de Setembro a nova versão do seu primeiro espectáculo: o Auto de la Sibila Casandra, um dos textos castelhanos de Gil Vicente.

 

A nossa Companhia nunca deu prioridade ao registo do seu trabalho mas surgiram espontaneamente trabalhos de outros artistas amigos ou de alguns membros da Companhia a partir dos nossos espectáculos, que nuns casos estão inéditos, noutros esquecidos, noutros de difícil acesso e que neste aniversário gostaríamos de mostrar, tanto mais que evocam diferentes momentos do nosso percurso. Ao longo dos dois sábados anteriores ao dia 13 de Outubro, ou seja, nos dias 5 e 12 de Outubro projectaremos esses filmes, alguns em estreia absoluta, na nossa sala, com entrada livre.

 

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